domingo, 6 de julho de 2008

Dúbio


Para Daniel Pécaut, uma das principais características dos intelectuais brasileiros sempre foi buscar constituir-se com uma elite dominante. Esse fato é identificado por este autor como uma espécie de “tradição” dos intelectuais brasileiros que se repete desde os anos 30, quando se posicionaram como os únicos que realmente possuíam pleno conhecimento da realidade brasileira.

Venero tal comentário. Acabei de utiliza-lo em uma das críticas no meu outro blog "cinestroika". O mais interessente é a continuação do pensamento: Durante as primeiras décadas deste século, apresentam-se legítimos representantes das aspirações da nação. Durante os anos 50 e 60, como os legítimos representantes do povo e seu porta-voz. O Estado era visto como um aliado e, ao mesmo tempo, objetivo final dessas práticas políticas. Os intelectuais buscavam acesso ao aparelho estatal ou, ao menos, agir como consciência crítica e influente dos homens do governo. É dentro desta perspectiva e desta tradição "vanguardista" que os intelectuais de esquerda, inclusive aqueles que atuaram no cenário artístico-cultural, e inserem.

Hoje em um “bate-papo” familiar discutíamos sobre esse texto. Colocamos em destaque a influência esquerdista sobre a elite pensante brasileira. Com um olhar mais crítico, talvez com um pequeno regresso ao desenvolvimento cultural do país, é possível fazer tal conectividade. Principalmente a questão da ditadura militar.
No texto que trabalhei anteriormente, critiquei a posição de cineastas que somente fazem hoje o que é moralmente aceito e funcionalmente questionável, e que pode ser melhor traduzido percebendo que o que poderia haver de interessante no desenvolvimento da arte brasileira, se perde em anseios de provar que há algo de belo em dizer os erros, mas que quase nunca há movimentação dessa camada para que haja mudanças nos erros em questão. A crítica como desencargo de consciência e somente isso, variando entre a massagem do ego e a hipocrisia. É o ato de desespero diante da própria ignorância.

Valorizamos isso, e a meu ver isso não é saudável. Não se trata da discussão “O que é Arte?”. Trata-se da crítica em sua função política, descartando qualquer valor estético ou ideologias. Mas, aonde pretendemos chegar com isso?

Caetano Grippo

terça-feira, 20 de maio de 2008

Voce esperará para sempre?


Ela e ele estavam à espera. Esperavam por uma abertura, um no coração do outro. Mas ela estava enganada. Pensava que, mais uma vez, o veria diante de si suplicando por sua boca. Não estavam distantes, viviam no mesmo reino e seus corações dividiam o mesmo pulsar. No reino dos amantes não há diferença entre camponês ou cavaleiro. Mas ela insistia contra isto. Queria algo mais. Porém, isto o jovem já havia feito. Sem medo havia se aproximado e, como um cavalheiro, dito o que sentia por ela.

Diferente dos outros homens de sua época, ele não participou de guerras, não pediu a Deus, nem comprou cavalos ou carruagens. Apenas se entregou a donzela que ansiava. Como não obteve sucesso, esperou. Aguardou por meses. Solitário pensava com quem ela estaria dançando, quem a estaria cortejando, quem estaria elogiando seus cabelos e suas mãos. Mas por mais incrível que pareça levavam a mesma vida os dois. Seguiam paralelamente próximos. Até que se encontraram. Naquele dia a saudade trouxe o nervosismo e tentou aumentar o desentendimento que os dias longes promovem. Mas os olhos apaixonados trocaram as juras, as mãos se compromissaram até a morte e o desejo organizou a noite de núpcias.

Ela sabia o que queria. Sempre soube, mas negava e escondia o quanto podia. Ele, orgulhoso e magoado por ter sido dispensado da primeira vez, não queria se rebaixar a outra tentativa. Mas no final os desencontros se transformaram em amor. Ela e ele não viveram felizes, viveram juntos tudo o que há para viver além da felicidade.

Quando terminei de ouvir esta história, pensei se o mesmo poderia acontecer conosco. Poderíamos nos encontrar e com uma simples troca de olhares entendermos que não faz sentido a distância. Mas não vivo assim, não penso se sou parecido ou diferente dos outros homens. Apenas sei o que quero. E, diante de tantos meios de comunicação existentes no meu reino, se sentíssemos o mesmo não estaríamos distantes. Entristecido, por não poder esperar por um final de estórias, tentei descansar. Mas quando ouvi o nome do próximo conto me lembrei da pergunta que fiz ao meu amor:

- O que lhe faz falta?

Por Cabelo

quarta-feira, 14 de maio de 2008

sábado, 3 de maio de 2008

Vivemos ou fingimos?


Onde estão teus bens materiais que guardaste?

Onde estão teus amigos, pais e irmãos?

Onde guardaste aqueles sentimentos que preferiste não ter?

As perguntas são inevitáveis, sempre.

A vontade de mudar e as dúvidas são eternas.

O cansaço na maioria das vezes vence a coragem. Uma ordem te obriga aceitar enquanto buscas fatos e palavras para formar uma razão concreta, digna de uma recusa.

Aqui tudo o que há para fazer eu já fiz.

Porém, insisto em insistir, tento não me esquecer em tudo o que há de ruim dentro de mim.

Busco o que sobrou. Pergunto-me se sobrou algo além de ti.

Um adeus justo agora que somos quase amigos.

Eu sei que haveria mais, mas preciso ir.

Talvez te encontre aqui, por aí. Não te esqueças de que estou levando tuas palavras comigo,

teus olhos nos meus e todos meus sorrisos debochados.

Acredita-me. Eu não iria mentir diante de ti.

Um beijo, um insulto e um perdão.

Todos movidos pela pena que sentiste e pela tua falta de motivação.

Lamentavelmente não há o que entender. Vivemos ou fingimos? Não há o que entender.

É só uma simplicidade complicada para não dizer não te vás, para não dizer a verdade, para não dizer o que queremos e enfrentar as conseqüências.

Meus olhos se fecham, abrem-se, e às vezes se abrem e não vêem nada.

Flutuam entre paredes visíveis somente para eles, enquanto a mente viaja para entender o que aconteceu, o que foi dito e o que fizemos ou ainda fazemos os dois.

Vivemos ou fingimos?




Por: Cabelo

terça-feira, 29 de abril de 2008

Análise do filme Edukators


O filme Edukators reproduz o grande debate vivido no século XX, década de 90, e no início do século XXI, onde o a utopia da revolução socialista volta à tona em um momento de grande desilusão com um sistema alternativo ao capitalismo. E o porquê dessa desilusão? Para explicarmos tal desilusão, precisamos antes analisar como o mundo caminhou para onde está atualmente e quais foram as principais revoluções que se passaram, com o intuito de mudar esse mundo e torná-lo mais humano e justo.
A revolução francesa pode ser vista como a primeira revolução social de impacto mundial e repercussões nos mais longínquos lugares de nosso planeta. Os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade foram perdidos no meio do caminho para se tornarem apenas igualdade, fraternidade e liberdade segundo os interesses da burguesia da época, embora tenha sido fonte de inspiração para diversas revoluções posteriores e muitos discursos recentes.
Dando um salto no tempo, chegamos à revolução russa de 1917. Obviamente, essa não foi a única revolução social nesse intervalo de tempo, mas para fins de nossa análise foi a mais relevante, mundialmente falando, dentre as outras. Temos, pela primeira vez, um país inteiro sob a lógica socialista, mas que com o passar dos anos e o acirramento das corridas armamentista e espacial, torna-se refém futuro dos interesses do capital, até que entra em colapso seu sistema no final dos anos 80. Nesse meio tempo temos revoluções na China, Vietnã e Angola, para citarmos algumas, com caráter socialista, mas que se desvirtuaram também.
Toda essa revisão histórica, aliado à juventude lutadora e crítica feroz do sistema capitalista dos anos 60 e 70 que em muitos casos também se "desvirtuaram" de seus ideais em função de outros interesses, constituem pano de fundo do filme e lançam algumas perguntas, tais como: O que é ser revolucionário hoje em dia?, Como fazer essa luta? , Como vencer o comodismo e a alienação da mídia sobre nós?
Os jovens, Jan, Jules e Peter fazem parte da nova juventude revolucionária, reféns de um mundo condicionado ao comodismo imposto tanto pela desilusão vivida com gerações passadas tanto quanto com revoluções passadas e, por isso, buscam uma forma de protesto inédita e que mexa com o psicológico do sistema capitalista.
A forma de protesto por eles adotada é, então, inusitada. Invadir mansões de famílias ricas, desarrumar todos os móveis e deixar um bilhete ameaçador. Tal protesto criaria uma espécie de pânico na burguesia e faria com que ela se sentisse ameaçada, facilitando que os pilares que sustentam o sistema se rachem.
Por essa maneira de agir eles se auto-intitulam "Os Educadores", fato que podemos relacionar com o conceito durkhaimiano de anomia social. Os educadores se constituem como uma doença que busca destruir a sociedade capitalista. Essa doença tenta ganhar força a fim de deixarem de ser apenas um fato social comum e serem uma anomia social, onde as taxas de "educadores" espalhados pela sociedade aumentaria significativamente, como um vírus que se propaga dentro de um sistema orgânico tentando consumi-lo e chega a um ponto onde se torna um problema sério.
O conceito da dialética pode ser empregado aqui também para tentarmos explicar os educadores. O sistema capitalista seria nossa tese, sendo os educadores a antítese dessa tese, que convive dentro do sistema por um tempo e quando ganha força suficiente quebra com essa tese, revelando-nos uma síntese, onde um sistema novo e antagônico à tese e a antítese se constituirá. Esse novo sistema, de cunho socialista, se constitui na síntese e a luta dos jovens educadores a antítese.
Outro aspecto importante do filme é o personagem Hardenberg, que a priori nos parece como um mero empresário com ideais tradicionalmente neoliberais, mas que posteriormente descobre-se que ele na verdade foi um dos mais importantes líderes estudantis críticos ao sistema capitalista. Tal fato causa espanto nos jovens seqüestradores e lançam a pergunta: como alguém com os ideais defendidos por Hardenberg na juventude pode se tornar um expoente máximo do sistema que tanto ele criticava?
Por esse ponto, vemos como que as forças e pilares do sistema capitalista são fortes e persuasivas. A influência cultural que nos é passada é tamanha, que mesmo um crítico do sistema pode se ver como um importante aliado desse sistema em um futuro não tão distante. A propaganda capitalista, veiculada pela mídia e pelos laços culturais a que somos criados e absorvemos são as principais maneiras de destruírem ideais. A cena em que Hardenberg está lavando roupa no cativeiro é vital para explicar isso. Essa propaganda e a cultura capitalista são instrumentos de coerção social contra possíveis movimentos contrários ao sistema vigente.
Alguns conceitos marxistas, como o de super-estrutura, aparecem no filme mostrando como realmente são frutos das relações de produção. No caso, Jules foi punida a pagar uma dívida, por causa de uma batida de carro, para um rico empresário que sequer precisava de outro carro, pois tinha diversos outros na garagem, e, portanto, a justiça foi justa aos interesses de quem é o grande beneficiado das relações produtivas.
A mercadoria fetichizada, conceito elaborado por Marx, aparece no filme em diversos momentos, mas principalmente quando Jan fala para Jules da mercantilização dos símbolos de protesto contra o capitalismo no passado e também em Hardenberg, onde ele trabalha para comprar produtos que almeja, mesmo que ele não necessite deles. Como carros importados diversos, iates, casas de campo, etc. Os jovens criticam esse consumismo desenfreado que no sistema capitalista é ordem vital. Os produtos na sociedade são tratados como se fossem coisas com poderes especiais, que fossem mudar nossas vidas e isso nos incentiva a adquiri-los, fazendo nossa existência basicamente fruto da aquisição de mais produtos. Nesse ponto, o personagem de Hardenberg é essencial na abordagem, pois ele adquiriu produtos por puro status social.
O final do filme também se revela surpreendente, ainda mais pela frase deixada para os policiais na parede do quarto dos jovens: "Algumas pessoas nunca mudam". Não sabemos se foi direcionada ao passado de Hardenberg, e por isso ele no fundo ele ainda nutre sentimentos revolucionários, ou se foi direcionada ao Hardenberg atual, onde uma pessoa corrompida dificilmente não deixará de ser corrompida. Além disso, o filme não termina com um clichê de "ideais mortos" ou "revolução apagada pela coerção social", pois os jovens estão se preparando para realizar o plano de Jan e desativar os satélites de TV da Europa, no iate de Hardenberg, alimentando ainda mais a incógnita em relação à frase do apartamento.
De fato, Edukators é um filme interessante, pois traz a tona debates que podem passar despercebidos atualmente, seja pela alienação social, seja pelo comodismo social fruto de desilusões passadas. Mas o grande ponto chave do filme é a proposta de uma alternativa a essa situação, uma alternativa à revolução, que é através dos educadores. Essa alternativa soa muito parecida com o que Marx e Engels tratam no Manifesto Comunista: "O proletariado, a camada mais baixada sociedade atual, não pode erguer-se, recuperar-se, sem estilhaçar toda a superestrutura de estratos que constituem a sociedade oficial". Ou seja, somente através de uma reestruturação ideológica que se pode questionar o sistema vigente.
Essa reestruturação ideológica passa também por uma espécie de guerra psicológica contra a burguesia dominante, onde as ações dos educadores fariam com que a "paz e segurança" vividos e sentidos por essa classe social seja ameaçada pelos verdadeiros sentimentos da maioria da população, abrindo espaço para a destruição do sistema através das rachaduras provocadas por essas ações.

Leonardo Segura

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A História da Arqueologia - A Arqueologia Inglesa


A Arqueologia Inglesa foi constituída durante o Imperialismo, e foi muito importante para definir o “propósito imperialista da Inglaterra”.[i] Isso auxiliou as novas correntes intelectuais a definir e a sustentar esse imperialismo, que foi feito através da construção de identidades opostas , gerando uma idéia de ascendência cultural.
Esta vertente científica, no início, trabalhou para criar um mito de origem que deveria ser diferente do mito da origem teutônica (que não chega a desaparecer). Este novo mito foi criado a partir da idéia em que o Império Romano, quando chegou à Britânia, teria trazido a civilização aos bretões, cuja presença tinha sido detectada no sul da chamada Britânia. Aliás, localizar os povos que eram descritos nos documentos e que deram origens às atuais nações é uma das tarefas dessa ciência desde que ela começou a esboçar-se, no século XVI.
Nos séculos XIX e XX, a Arqueologia Inglesa passou a proporcionar histórias que culminariam com a criação de uma Identidade Nacional, história contada através dos achados arqueológicos. Assim, ligar identidades étnicas a achados arqueológicos e trazer um sentimento de pertencimento era extremamente importante para a época: afirmar sua identidade sobre a do “outro” era à base do imperialismo inglês.
Dessa forma, foi criada a teoria da Romanização, na qual interpretava que Roma teria expandido para levar seu modelo de civilização (herdado pelos europeus) aos nativos. Isso foi muito importante para a Inglaterra durante os séculos XIX e XX: o conceito de Romanização trazia imagens opostas entre os romanos (“civilizados”) e os nativos (“não-civilizados”), o que ajudou a Inglaterra a justificar o imperialismo sobre a Índia, por exemplo.
Com isso, um paralelismo foi criado entre os “civilizados” (romanos e ingleses) e os “não-civilizados” (bretões e indianos), que não era muito preciso, mas que teve uma grande importância. Afinal, este conceito, juntamente com o paralelismo criado em seu entorno, trouxe mais uma justificativa para o imperialismo: levar a civilização, herdada dos romanos, para o mundo.
Esse modelo de oposição, embora importante, não foi o único. Outro modelo de interpretação, que pregava mistura racial entre romanos e bretões, foi formado, entretanto, ele só ganhou importância na época da Primeira Guerra Mundial. Nas décadas de 1930-40 o Império Romano passa a ser visto como “uma ameaça à segurança nacional”, um “despotismo estrangeiro”.[ii]
Dessa forma, a Arqueologia inglesa surge para justificar o imperialismo e
Constituir uma identidade nacional (anglicidade) através da criação do mito de origem. Esta ciência teve um grande valor em trabalhos acadêmicos e as imagens criadas por eles tiveram uma grande repercussão popular. O aspecto eurocêntrico da Arqueologia inglesa deve ser, como diz Hingley, um objeto de crítica, mas deve-se considerar sua importância para a formação dos Estados nacionais.



[i]HINGLEY, Richard. Concepções de Roma: uma perspectiva inglesa. In FUNARI, Pedro Paulo Abreu (organizador e revisor técnico). REPENSANDO O MUNDO ANTIGO; Série Textos Didáticos, nº47, 2ª edição (revisada e ampliada) ,IFCH/UNICAMP. p.28
[ii] HINGLEY, Richard. Op. Cit. p.53



Arqueóloga Marina



Charge


terça-feira, 8 de abril de 2008

Correntes Ortodoxas e a Onipotência do BC


Até quando ficaremos presos nessas correntes do pensamento ortodoxo? Ninguém agüenta mais esperar as proclamações dos “deuses” do Banco Central com medo de que os juros aumentem. Parece até que o BC é uma espécie de entidade cósmica que se ficar gripada todos nós sofreremos desgraças tremendas como meros lacaios das vontades e humores deste grande ser....oh Banco Central.
A desculpa desta vez é um possível aumento da inflação oriundo de uma pressão da demanda. É certo que temos a demanda aquecida, o crédito se expandindo e o consumo crescendo no país todo. A pergunta é: que mau à nisso? Vivemos décadas com nosso consumo apertado com taxas de crescimento medíocres e juros estratosféricos nada mais justo termos a liberdade de usufruir dos benefícios do Capitalismo (mesmo que questionáveis) após tanto aperto.
Tudo bem, a demanda pode provocar inflação sim. Porém só consigo visualiza-la em casos pontuais, como o caso dos gêneros alimentícios que tem tido um enorme aumento da demanda internacional em virtude do alto crescimento dos países emergentes, com destaque para Índia e China. No que diz respeito ao setor de bens de consumo duráveis e não duráveis acho pouco provável. O consumo das famílias no ultimo trimestre de 2007 apresentou crescimento na casa dos 6% enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo cresceu no mesmo período 12%. Isso pressupõe uma ampliação considerável de investimentos produtivos que seriam diretamente afetados por um aumento na taxa base de juros.
Ainda assim somos reféns do BC, espero estar enganado mas prevejo o pior, ou seja, um banho de água fria no setor produtivo. Dentro deste quadro só nos resta rezar ao onipotente BC: “Banco Central que estais em Brasília, santificada seja a vossa taxa, traga a nós o vosso crescimento....”.

Bruno H. Cavasana

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A História da Arqueologia


Uma visão geral
A Arqueologia, como ciência, nasce durante o auge do Imperialismo, no século XIX. Esta nasce já com um nome pretensioso: a palavra Arqueologia significa “o relato das coisas antigas”.[i]
Sua própria nomenclatura levou o senso comum a pensar que a Arqueologia estudaria apenas “coisas” ou “artefatos”. Entretanto, esta ciência estuda, aquilo que é denominado ecofato e biofato (“vestígios do meio ambiente e restos de animais associados aos seres humanos” [ii]) e, também, o próprio homem e sua relação na sociedade.
A primeira grande mudança nesta ciência veio apenas na década de 1960, com uma proposta “arqueológico-antropológica”,[iii] conhecida como New Archaeology. Este novo modelo teórico tratava a Arqueologia não apenas como uma ciência que só recuperava os resquícios do passado, mas a tratava como “o estudo da cultura material que busca compreender as relações sociais e as transformações na sociedade”.[iv]
É claro que a Arqueologia não surgiu de maneira uniforme, o que explica suas várias diferenças pelo mundo. Desta forma, especificar o surgimento de uma ou outra vertente arqueológica significa entender em que contexto histórico esta ciência surgiu e como ela foi utilizada durante o tempo. Além disso, há uma divisão geral, na qual separa a Arqueologia Estadunidense da Européia.
A Arqueologia Americana desenvolveu-se a partir da antropologia, que estava preocupada em estudar os nativos da região. Esta vertente científica teve um grande desenvolvimento no século XIX, que resultou na criação da chamada Arqueologia-histórica, que foi definida como o “estudo da Arqueologia do “mundo moderno” (a partir do século XV)”.[v]
A Arqueologia Européia, diferentemente da estadunidense, surgiu derivada da filologia e da história, no século XIX, conhecida como Arqueologia Clássica, por estudar os vestígios da Civilização Ocidental. A Arqueologia Européia também criou outras vertentes, hoje conhecidas como Arqueologia Egípcia e Arqueologia Bíblica, para citar apenas dois exemplos.

[i][i] FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Arqueologia; 2ª edição, São Paulo, Contexto, 2006. p. 13. Grifo meu.
[ii] FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Op. Cit. p. 14
[iii] FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Op. Cit. p. 17
[iv] FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Op. Cit. p. 15
[v] FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Op. Cit. p. 23


Arqueóloga Marina

sábado, 5 de abril de 2008

Chegaremos lá?

O Brasil enfrentou durante a década de 80 uma ruptura na trajetória do crescimento acentuado da economia no pós-guerra e na expansão do PIB per capita vigente desde os anos 50. A economia brasileira nunca havia passado por uma experiência de redução absoluta no nível de produção industrial até então. O grande sujeito da década foi a crise da dívida externa decorrente do rápido crescimento da economia brasileira até o final da década de 70.
O governo brasileiro adotou medidas protecionistas para gerar saldos positivos na Balança Comercial Nacional. Além das tarifas de importação já antes existentes, a indústria passou a receber subsídios para exportação e a se beneficiar das abruptas desvalorizações da moeda nacional e restrições à importação.
Apesar de todos os incentivos do governo, os estímulos às exportações não foram suficientes para gerar saldos positivos na Balança Comercial Brasileira, sendo necessário recorrer às restrições do ritmo de atividades econômicas. O saldo comercial foi obtido com estagnação, inflação alta e deterioração das finanças públicas, devido ao pagamento dos serviços da dívida interna e externa.
Embora a taxa de investimento tenha sido bastante baixa, não ocorreu um processo de desindustrialização industrial em larga escala, mantendo-se a estrutura produtiva. Essa não desisdustrialização permitiu que o emprego oscilasse juntamente com o nível da atividade econômica
Todo esse movimento da economia afetou extremamente o mercado de trabalho urbano, interrompendo o crescente assalariamento e formalização da estrutura ocupacional. Através da queda relativa do emprego formal, houve aumento do número de trabalhadores por conta própria e diminuição do poder de compra do trabalhador. A economia em estagnação não gerou oportunidades ocupacionais necessárias para absorver o aumento da População Economicamente Ativa (PEA) e o processo inflacionário corroeu o poder de compra de trabalhador.
Além disso, as desigualdades de renda existentes desde o início da industrialização no país passaram por um agravamento, aumentando a pobreza do país. Ocorreu uma proliferação do emprego formal de baixa remuneração, e houve uma informalização do mercado de trabalho, principalmente, no setor terciário.
As ocupações que mais cresceram aparentam ter uma menor necessidade de qualificação e tendem a remunerar abaixo das ocupações que estão sendo destruídas. Portanto, ocorre no Brasil um processo de precarização das relações de trabalho, com destruição de empregos de melhores salários.
Se o país pretende caminhar para uma estrutura produtiva moderna é imprescindível investimentos em universidades de boa qualidade, tecnologia e energia. O Brasil tem capacidade para atingir esse grau de modernização, mas desde que o governo se comprometa seriamente a realizar as medidas necessárias para tais mudanças.

Mariana Penteado

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O Índio que acordou branco e o branco que acordou índio


Uma terra colorida pelo verde-sangue das matas brasileiras. Um homem, com ares de eterno filho, pinta seu rosto e apronta seu arco. Dois quilômetros adiante, uma espessa clareira denuncia que o inimigo está presente, pelo menos por enquanto. O conflito é iminente e a chuva, no fim da tarde, tenta sem sucesso apagar o fogo que se instala. Está tudo pronto para a débâcle. O homem de rosto pintado avança com sua arma e seu bando, alastrando o ar com um ignóbil brado de posse. Ali tudo é seu, ele pensa.
Do outro lado, outro homem empunha sua arma e agita os foliões que estão presentes. Hoje é dia de festa, e nesse lugar, onde nada acontecia, zumbe agora um assovio de desequilíbrio. Os foliões, armados com facões e rifles, marcham em uma linha tênue através da clareira pisando nos restos da mata, que agora descansa inerte no chão. O grito, semelhante ao brado do inimigo, reivindicava a posse, a terra.
Em determinado momento, como pelo desígnio de um destino antevisto, os dois grupos se encontram. A marcha é interrompida em ambos os lados. O cenário evidencia o embate, cada bando com seu líder à frente. Enquanto de um lado alguns homens seminus erguem seus braços e entoam um canto de guerra, do outro lado os personagens parecem imitá-los, de tal forma que todos se confundem. Apesar de tão antagônicos, quão iguais se parecem. Eis que há um silêncio. Os dois líderes dão alguns passos e se encontram, quase tocando seus semblantes. Seus pulmões arfantes fazem da respiração uma denuncia em causa própria. O rei dos foliões abre a boca e pronuncia uma espécie de acordo. O outro, apesar do intimidante rosto pintado, apenas anui e gesticula em gesto de aprovação. Está feito, agora todos podem voltar para casa. Não houve muita festa, mas agora parece que há uma legítima paz envolvendo o ambiente.
Amanhã será o dia das extrações para uns e do ritual para outros. Os foliões continuarão seus ofícios floresta adentro, enquanto o séqüito nativo se reconfortará em acompanhar seu líder rumo à outro lugar. Não houve guerra, não houve luta. Não houve nada além de um acordo. Os foliões e o bando de homens seminus não entenderam direito o que se passou, mas acreditam em algo bom. Os dois líderes, no entanto, sorriem e festejam sozinhos na noite sem lua que se apresenta, até caírem no sono.
Na manhã seguinte, quando todos acordam, percebem que algo está diferente: não há nuvens no céu e nem árvores na terra. Acham logo que é brincadeira de deus ou algum tipo de sonho. Mas nada muda durante o dia inteiro e eles acabam intuindo que é tudo obra do homem, de um mesmo homem. O índio do rosto pintado percebe, então, que agora é um homem branco, e o homem branco percebe que é um índio. O interesse havia guiado os diferentes ideais por um mesmo caminho, destruindo tudo o que havia na frente. Agora não há mais mata, ideais ou diferenças, há apenas uma coisa: o homem.

Oz Iazdi

quarta-feira, 2 de abril de 2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

A possível falha do materialismo


Pensamento materialista: O modo de produção determina toda a organização social. A superestrutura, composta pelo sistema jurídico, político e religioso, é totalmente dependente dessa infra-estrutura. O capitalismo, portanto, só poderá ser mudado através da reestruturação da organização produtiva, ou seja, através da coletivização dos meios de produção.
A partir da análise dessa visão materialista, que procura explicar a organização social através da infra-estrutura, pode-se fazer um questionamento sobre sua veracidade. É claro que, como dizia Marx, se todos tivessem acesso aos meios de produção e a propriedade privada fosse abolida a sociedade não seria a mesma, ou seja, haveria uma alteração no modo de produção e na organização social, confirmando os preceitos de sua dialética materialista. Mas como se forma o modo de produção? Quem é o culpado pela organização econômica da sociedade?
O primeiro ponto a ser observado é a definição do modo de produção, que é a combinação dos fatores produtivos e as relações de produção. Assim, podemos tecer duas hipóteses sobre a formação dos diversos sistemas econômicos: a primeira, afirma que esses sistemas se originam do desenvolvimento natural de uma determinada região em um determinado período no tempo. A segunda, no entanto, afirma que os sistemas econômicos vigentes não são naturais, já que por mais que dependam das condições temporais e materiais, não poderiam se desenvolver se não houvesse uma intenção ou uma cultura coletiva (ou de determinada classe social) que levasse a isso, podendo ser modificados. A segunda hipótese parece ser a mais plausível, visto que temos argumentos históricos que comprovam isso, como no caso do capitalismo. Por mais que houvesse condições materiais específicas para o nascimento do capitalismo na Inglaterra, ele se desenvolveu graças ao sistema político, jurídico e religioso (superestrutura), ou seja, graças à cultura inglesa do período, a qual permitiu sua promoção. Podemos observar isso através do não desenvolvimento do capitalismo por todo o globo por certo tempo, apesar de hoje em dia os imperativos do mercado dominarem quase todas as relações humanas.
A infra-estrutura capitalista, então, parece ser a culpada pela organização da sociedade inglesa no século XVIII e, posteriormente, de quase todas as sociedades. Mas como se deu a implantação dessa nova infra-estrutura? Deu-se através das idéias e da cultura de uma sociedade no período imediatamente anterior ao capitalismo. Desse modo, se pressupormos que é o modo de produção que organiza e determina as diversas sociedades, temos automaticamente que concordar que esse modo de produção é algo natural, e não uma manifestação das idéias humanas, pois se o homem participar desse processo ele criará um sistema baseado em idéias e valores culturais pré-estabelecidos, já que sabemos que ninguém é capaz de criações puramente científicas, sempre havendo valores culturais e éticos envolvidos. Esses valores e essa cultura são nada mais do que a superestrutura do período imediatamente anterior.
Assim, a hipótese materialista não pode afirmar que é o modo de produção que organiza a sociedade se não afirmar também que ele ocorre através de um processo natural, pois se há valores envolvidos na formação desse modo de produção, podemos afirmar que quem determina a organização social é a superestrutura do período imediatamente anterior ao observado. A teoria materialista, então, parece possuir uma contradição inata ao defender duas idéias tão conflitantes, sendo a proposta do socialismo e do comunismo um exemplo de tudo o que foi afirmado. O socialismo/comunismo surgiu de onde? Surgiu das idéias e das novas necessidades institucionais (superestrutura) do capitalismo. O socialismo, então, seria mais uma prova de que o sistema econômico não se dá através de um desenvolvimento natural, mas através da esfera ideológica do período imediatamente anterior.


"Todos os movimentos anteriores foram tão-somente movimentos de minorias, ou no interesse de minorias. O movimento proletário é o movimento independente da imensa maioria no interesse da imensa maioria. O proletariado, a camada mais baixada sociedade atual, não pode erguer-se, recuperar-se, sem estilhaçar toda a superestrutura de estratos que constituem a sociedade oficial." - O Manifesto do Partido Comunista, Marx & Engels


Oz Iazdi

O Fim do Livre-Mercado (?)


Há em economia certo predomínio de idéias, teorias e suposições de que o livre-mercado resolva, senão todos, mas a maioria dos problemas da sociedade. Desde a questão do desemprego, distribuição de renda e conflitos até no campo mais teórico da observação, através de uma metodologia neoclássica.
Essa suposta verdade pode ser contestada por diversas maneiras e em diferentes momentos históricos do sistema capitalista, e isso não é propriamente meu objeto de análise, mas sim a continuação desse pensamento neoliberal permanente em nossas sociedades. Por que isso acontece?
A atual crise do sistema se passa em seu representante mor, os EUA, e nos traz algumas particularidades, já observadas em crises passadas, que mostram o quanto a questão do Estado ainda é importante, visto que medidas tomadas pelo Estado americano para conter uma crise gerada pela forte desregulamentação de agências financeiras e de crédito foram necessárias e aclamadas pelo famoso “mercado”. Medidas como o resgate financeiro arranjado pelo Fed[1] do banco de investimentos Bear Stearns é uma evidência de como o tal livre-mercado pleno pode não ser realmente uma solução.
Obviamente, a atual crise instalada na economia americana não se deve apenas por implicações de uma ou outra agência financeira e crédito, nem somente por todas elas. Há considerações relevantes a serem mostradas, como o fato de que o próprio Estado americano é culpado por sustentar essa “bolha imobiliária”, mas o fato é que tal atitude tomada pelo governo levou a uma exagerada desregulamentação financeira e consequentemente ao “samba do crioulo doido” dos bancos de investimentos e crédito.
Não apenas essa atual crise deve ser mencionada, mas crises anteriores, tais como à enganação feita nos balanços de empresas como a Enron, que explodiu em crise em meados de 2002/2003 e lançou sérias dúvidas sobre a seriedade dos conselhos de administração das grandes companhias. Sem contar a própria crise de 29, o crash da bolsa de Nova York, onde a especulação deitou e rolou até quando não pode mais e deu no que deu.
O Brasil, famoso por receber sempre duros impactos e reflexos de crises internacionais, por incrível que pareça, está mais seguro em termos macroeconômicos do que antes. Isso se deve, em grande parte, à própria legislação brasileira, que é muito mais rígida para concessão de crédito e também por não possuirmos um sistema financeiro tão complexo quanto os países do G-8.
Em artigo publicado no jornal Valor Econômico, o jornalista Martin Wolf fala sobre o fim do sonho do capitalismo de livre-mercado devido às conseqüências já acontecidas e as medidas tomadas pelo Fed a fim de atenuar a crise. De fato, a desregulamentação exagerada tomou um grande golpe, mas não acredito que irá terminar assim. Crises já vieram e foram baseadas na mesma lógica, e nem por isso esse pressuposto de que o mercado resolve tudo e que só através da liberdade do mercado é que atingiremos a tão sonhada harmonia social foi extinta. Pelo contrário, ela se intensificou, alcançando os patamares da atual crise.De tudo isso, podemos entender que esse sistema pró livre-mercado exageradamente instalado em nossos dias, onde uma globalização do capital é a regra sobre tudo e todos, não será a solução para os problemas, sejam eles quais forem, pois podemos observar pela história que tal fato não se concretiza dessa maneira e só uma conscientização ética sobre o uso dessa dita “liberdade” é que pode amenizar a situação.
[1] Banco central americano


Leonardo Segura

domingo, 30 de março de 2008

A decadência de valores do séc. XXI.

Esses dias me peguei pensando em como o ser humano é cada vez mais facilmente corrompido. Hoje nós percebemos isso através de crianças não precoces, mas que estão "aprendendo" certas coisas na hora errada, de forma precipitada. Desde cedo são influenciadas pelo mais famoso meio de alienação em massa (sim, a televisão), que passa valores errados. As relações estão sendo banalizadas, o amor não é nada mais que uma palavra que se distribui de graça, o sexo está sendo supervalorizado e é a isso que as crianças estão se prendendo. A fase da infância está se dissipando, pois estão aprendendo de forma equivocada coisas que cabem a adultos, e passam a visar a popularidade no ambiente escolar, obtida através de uma visão errada de auto-estima. Para crianças imaturas assim, auto-estima se dá através de atos de superioridade, então desde cedo são pessoas egoístas e agressivas, que precisam ferir os outros, tanto física quanto psicologicamente, pois são, apesar de fazerem de tudo para não deixar isso transparecer, solitárias.
O estresse, as preocupações da vida urbana subiram à cabeça de pais que não mais fazem questão de realmente educar seus filhos. É muito comum hoje que ambos os pais trabalhem, e durante o dia todo. Desse modo, tentam suprir a necessidade de carinho e atenção dos filhos com dinheiro e uma liberdade extrema e precipitada, gerando crianças materialistas, vazias e conformadas com tudo, que não questionam, que não fazem questão de obter conhecimento, cultura. Assim elas vão crescendo e se tornam os estudantes "caixa de informações", como já disse um grande amigo meu. Se tornam pessoas sem opiniões, sem conteúdo, sem grandes aspirações.
As coisas chegaram a extremos e dificilmente isso conseguirá ser revertido. Muitas coisas precisariam ser modificadas, inclusive no ambiente escolar, que se tornou uma passarela que só faz projetar a imagem que as pessoas querem passar para se auto-afirmar. O ensino não é mais prioridade para os alunos, e estes se acham no direito de desrespeitar seus educadores que, infelizmente, vêem seu trabalho como um martírio, em vez de algo que, na verdade, é belo, importante e de imenso valor.

Alanna Serpa

sexta-feira, 28 de março de 2008

Palestra do Mercadante


Enquanto alguns dos colegas se deliciavam com aulas de contabilidade, estatística, sociologia ou qualquer outro tipo/nível de conhecimento, eu estava indo a uma palestra do excelentíssimo Aloísio Mercadante. Para a turma que prefere ir ao churrasco a ler o jornal, o Sr citado é nosso Senador. Isso mesmo, Senador, homem de responsabilidades, cheio de compromissos e que o objetivo principal é o bem da nação, desenvolvimento do país e algumas coisinhas a mais.
O importante agora não é dizer quem ou o que faz Sr Mercadante nas horas de trabalho ou de lazer, e sim, o que ele disse na palestra. Tudo começou com um belo discurso do professor Lobão, cheio de palavras jamais imaginadas e metáforas muito bem planejadas. Passado o discurso, e algum contra tempo, veio a vez de nosso convidado. Cheio de elegância e pose subiu ao palanque e começou sua tentativa de convencimento. Assumo que muita coisa ali soou bonita e confortável, mas só. Muito pouco foi ouvido sobre assuntos pilares do PAC, muitos números foram jogados ao ar, muitas previsões foram feitas, mas algumas coisas importantes foram deixadas de lado. Questão como EDUCAÇÃO, SAÚDE e DESENVOLVIMENTO DE SETORES PRIMORDIAIS, como por exemplo INDÚSTRIA e TECNOLOGIA, devem ter ficado dentro da pasta do Senador. O cume do absurdo apareceu quando Sr Mercadante solta sua fala sobre o MILHO. Dizendo que milho é algo primordial! Que todos comem milho, que milho vira cereal, que vaca, boi e frango comem milho!!! Tal fala só poderia vir de um senador brasileiro mesmo.
Pergunto-me quem engoliu essa patetagem sobre milho! A meu ver isso é mais uma jogada estúpida e sem sentido de um cara companheiro querendo alegrar o povo do nordeste (nada contra os nordestinos). É absurdo imaginar que milho seja o que a economia precise hoje! Já somos um país agrícola, nos orgulhamos de vender SUCO DE LARANJA, os chineses nos amam porque temos mais soja que grãos de areia!!!!!! Creio que o milho possa ser um pedaço de palha para nossa fogueira chamada crescimento, mas para ela se manter acesa precisamos de algo mais concreto. Talvez o problema de toda nossa crise seja um “simples” investimento industrial, um fortalecimento das estruturas básicas e uma melhor capacitação da população (não me refiro a investimentos em ensino superior).
Voltando a palestra, Sr Senador ficou falando, falando, mostrou alguns slides no PP e se despediu com uma grande frase. “Gente, eu to cansado e tenho que acordar cedo amanhã”. Eu também teria, mas isso é apenas um detalhe para o proletariado.

Caio Friederichs

quinta-feira, 27 de março de 2008

segunda-feira, 24 de março de 2008

Reformas, reformas...

No café:
- Os velhinhos são um problema.
- É... eu sei, o rombo da previdência é enorme. Não dá, precisamos de uma reforma!
- E urgente!
- Urgente.

No clube:
- Imposto?! Ainda bem que não tem mais essa CPMF!
- Foi um alívio!
- Põe alívio nisso... eu ia quebrar daquele jeito!
- Eu já estou quebrado. Esse sistema tributário é confuso e oneroso demais! Ta tudo errado! Que façam uma reforma!

No trabalho:
- Você viu ontem?
- O que?
- Aquele político lá... O tal do “Zé da feira”. Mudou de partido... Hoje em dia ninguém respeita mais nada, é tudo uma confusão só. Por isso que tem toda essa corrupção. Esse sistema político é muito fajuto!
- É.

Não importa onde, quando e nem como, o que importa é mudar, reformar. Sem entrarmos no mérito das reformas política, tributária e da previdência, discutidas com muito ímpeto pela sociedade brasileira, deixemos um espaço para uma discussão que a princípio parece um tanto excêntrica, mas surge como uma reflexão crítica das manifestações sociais contemporâneas: a reforma cultural. Como assim? Por que reformar a cultura? A cultura é objeto de uma reforma ou simplesmente a expressão natural de um povo, algo imutável?
Antes de defender qualquer ponto de vista, deve-se questionar qual a importância da cultura e o que ela representa afinal. A resposta a esse questionamento pode vir através de um estudo sociológico, antropológico, econômico, político, enfim, de várias esferas da ciência e do conhecimento humano. Um ponto em comum, no entanto, provavelmente será no que diz respeito à forte influência que a cultura exerce nas diversas formas de relações humanas, seja em que esfera for. Essa influência, enraizada no passado, na história, nos costumes e nas tradições de um determinado povo, é perceptível através do desenvolvimento desse mesmo povo e da análise de suas ações e escolhas. A cultura, portanto, possui um caráter de representação da vontade coletiva, além de ser a base para a tomada das mais diversas decisões e propostas de mudança social. Assim, fica clara a importância da cultura no desenvolvimento da sociedade.
O Brasil, país de uma diversidade cultural imbatível, possui múltiplas faces, mas é uma sociedade única, organizada através de um Estado soberano. Seja nordestino, carioca, paulista ou capixaba, negro, índio, branco ou amarelo, homem ou mulher, o brasileiro deve perceber que antes de tudo é um brasileiro. Essa percepção de integridade e coesão parece não existir fortemente. Parece que o quebra-cabeça não se encaixa, que há peças demais. Essa falta de coesão nos leva a uma atomização e falta de identificação social, possibilitando e facilitando um domínio cultural externo, vindo principalmente dos EUA. Não que seja apenas um clichê dizer que esse domínio cultural e ideológico estado-unidense é nocivo, visto que a cultura desse país possui muitas riquezas e é digna de reconhecimento, mas o que ocorre no Brasil é algo que soa ridículo. Por que não questionar o livre arbítrio, a possibilidade de escolha? Por que aceitar a imposição de uma massa cultural (puramente comercial) impertinente? Falta educação e acesso a fontes alternativas de entretenimento? Não! E sabem por quê? Porque estamos falando principalmente da classe média e da classe alta, aquelas que têm toda a oportunidade de criticar, escolher e mudar, mas, no fim das contas, é dominada.
Surge, a partir daí, um cenário estranho aos interesses nacionais. As divisões dentro do próprio país crescem e geram mais cisão e conflitos de interesses. A quem interessa a reforma tributária? Como ela será feita? E a previdência social? Constitui-se um fardo pra quem? A princípio, nada disso importa. Importa antes de tudo o interesse nacional, os interesses de todos, por mais que sejam conflitantes. E como resolver esse paradoxo? O primeiro passo, talvez, seria “ampliar a mente” dos mais abonados (devido a suas influências econômicas, políticas e sociais) e faze-los perceber que as possibilidades são maiores e mais diversas do que aparentam ser, que não existe só a coca-cola e o próprio umbigo. Os interesses convergem quando se buscam soluções para o desenvolvimento sustentável da sociedade como um todo. Todos podem ganhar no fim.
A ruptura e o preconceito sociocultural só corroem o país, derrubando as perspectivas de união e desenvolvimento. Deve-se procurar um meio termo quando misturamos as diversas culturas brasileiras, um termo que se traduza em “Brasil”. Para isso, devemos contar com a mudança da grande massa social que contempla uma cultura hipócrita e obsoleta, cultura essa que não representa a verdadeira expressão cultural dessa sociedade. Em suma, como fazer as mais diferentes reformas se não reformarmos antes a cultura nacional, aquela que divide, que se deixa dominar e que expressa superficialmente a pseudoliberdade de um povo? A integração, a crítica e a percepção de igualdade e de novas possibilidades são as formas de se buscar um novo paradigma nacional, uma nova manifestação cultural. Uma sociedade não mudará suas instituições se não mudar sua própria face. Tentemos unir as diversidades culturais e de pensamento em um único projeto nacional, e que a classe média e alta perceba que o culto ao egoísmo e ao fast-food cultural são nocivos a todos.

Na universidade:
- Por que resolveu fazer economia?
- Para ganhar dinheiro.

Oz Iazdi

A revolução

É complicado um jovem de 20 anos, que não viveu ditaduras, inflações monstruosas, diversas mudanças monetárias, guerras e tantas outras adversidades que gerações anteriores em todo o mundo enfrentaram querer falar sobre revolução. Mas sim, eu irei falar sobre a tão sonhada e discutida revolução, embora muitos possam me taxar de prepotente, o que não julgo ser.
Acho que a minha geração é beneficiada por inúmeras coisas, dentre elas essa suposta estabilidade que mencionei acima, mas acredito que a história seja o maior dos benefícios para nós. E por quê? Porque podemos estudar a história humana e observar os diversos momentos pelos quais nossos antepassados viveram e, através desses momentos, entender o porquê do sistema capitalista ter sobrevivido por tanto tempo, com fortes raízes fincadas em nossas sociedades.
Marx dizia que o capitalismo criaria uma classe de excluídos do sistema e, dessa maneira, estaria criando a antítese de sua lógica, que iria gerar uma revolução, a revolução do proletariado, e assim daria início a um novo sistema, onde o proletariado tomaria o controle da produção e conseqüentemente da sociedade. Isso é apenas uma síntese, bem resumida, sobre o que Marx pensava a respeito do futuro, que infelizmente não ocorreu como o esperado devido à, já famosa, propaganda burguesa. Frase clichê? Acredito que sim, mas não pouco verdadeira.
Essa propaganda não pode ser resumida apenas em periódicos e televisão ou em uma ou outra pessoa, pois, além desses, a própria lógica em que somos criados e acostumados a viver se revela a maior das propagandas a favor do sistema. Isto está presente a todo o momento e somos influenciados sem o menor direito de escolha, até que, quando percebemos, já somos mais um soldado em defesa das vontades do capital. Futebol, cerveja, faculdade, escola, mulheres, sexo, igreja, american way of life, brazilian way of life, etc. Tudo se revela uma grande manipulação de nossas mentes.
O último parágrafo, acredito, explica o porquê de inúmeras revoluções mundo afora terem perdido seus ideais no meio do caminho e se transformado em mais algumas sociedades reféns do capital. França, Rússia, China, México, Colômbia, Vietnã e tantas outras na África são bons exemplos. A propaganda embutida em nossas vidas e os interesses do sistema, dia-a-dia, nos faz destruir aos poucos a revolução.
Por isso, a melhor forma de concretizarmos a revolução, e verdadeiramente os ideais de 1789, é mudarmos a educação de nossas crianças, de nossa base. Como podemos fazer a revolução se somos educados para pensarmos e sermos como capitalistas? A verdadeira classe de excluídos do sistema se formará a partir do momento em que nossas instituições de ensino não forem mais dogmáticas, duras, cegas e atreladas aos interesses do capital.
Para que isso ocorra, precisamos do espírito de 68, do sonho de Malatesta, de mais Dennis Lyxzén, de mais edukadores. Precisamos unir os já existentes em prol do objetivo de conseguirmos consolidar a revolução verdadeiramente. “Cada coração é uma célula revolucionária”, como disse o personagem de Daniel Brühl em Edukators.Obviamente isso se parece muito mais com ideais iluministas do que qualquer outra coisa, mas, em minha opinião, é através dessa nova educação que teremos o surgimento desse novo homem (por que não o super-homem de Nietzsche?) e, assim iremos mudar essa lógica presente em nossa sociedade. Através da formação de uma classe intelectual e mentalmente livre e capaz de gerir essa revolução.

Leonardo Segura

O samba da mais-valia

Eis o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=l5Il0h5scIY

Exercitando o pensamento

Vamos fazer um exercício de pensamento, onde o objetivo é revelar os diversos pontos de vista de um único fato.
Primeiro fato a ser considerado no exercício, é que a velocidade da luz é constante, e não se soma.
Suponhamos que existe um relógio construído da seguinte forma, 2 espelhos paralelos e posicionados horizontalmente , onde um feixe de luz percorre as distancias de um espelho ao outro ,verticalmente, a cada unidade de tempo. Essa trajetória é igual a "d", sendo o tempo T e a velocidade da luz é constante e não se soma e igual a "c" então tempos que T=cxd.
Agora suponhamos que este relógio está dentro de um trem que se movimenta com velocidade constante. Existe uma pessoa parada dentro do trem e outra parada em um banco na estação do trem.
A trajetória do feixe de luz para a pessoa que está dentro do trem vai ser igual a "d"pois a luz rebate de um espelho para o outro.Porém a trajetória do feixe de luz para a pessoa que está sentada na estação vendo o trem passar e o relógio dentro dele, será igual a "d"x raiz2, ou seja a distância será maior, isso porque a luz ira percorrer para a pessoa parada na estação, "d" que é a distância entre os dos espelhos paralelos, + a trajetória horizontal que o trem realiza. Portanto para a pessoa que está sentada o T=cxd .raiz2
Concluindo, o fato do relógio medir o "tempo" é relativo, variando de acordo com o ponto de referência, logo o tempo para quem está sentada na estação é maior do que a de quem está dentro do trem.
Essa reflexão apesar de ser uma filosofia de física, nos remete a qualquer tipo de filosofia, já que como em história, geografia, qualquer coisa, possui vários pontos de vista variando de acordo com os referenciais, assim como na física, e na nossa realidade.
Espero que tenha sido explicativo, se repercutir positivamente eu até faço um desenho pra dar uma noção melhor.

Abraço a todos.

Adriano Scabello Duarte

domingo, 23 de março de 2008

O vírus da mediocridade

Acredito que seja um consenso geral de que a educação constitua-se na principal maneira para se mudar uma realidade de conformismo e acomodação total da humanidade, pois quando se tem a oportunidade de conhecer novas maneiras de pensar, novos horizontes passam a nos proporcionar uma amplitude infinitamente maior em nossa maneira de olhar o mundo e as atitudes humanas.
Obviamente não falo de uma educação quantitativa, a qual se observa com tanta freqüência através da proliferação de faculdades e centros de ensino superior na rede privada desde a última década no Brasil, mas de uma proposta qualitativa, onde a formação de um ser racional e crítico para com as coisas ao seu redor seja o foco principal. Alcançar isso, acredito eu, é o grande desafio para nossa geração, principalmente levando-se em conta o atual nível intelectual da juventude brasileira.
É evidente que a criação de um “mercado do ensino superior” não seja o melhor jeito de se mudar nossa realidade, visto que o objetivo de tais mercados vise apenas a venda de seu produto, a graduação (e mais recentemente até a pós-graduação). Encarar a educação como um produto é a raiz do problema, pois é a partir daí que temos a criação de mais escravos para um sistema onde torna o ser humano cada vez mais estúpido e alienado.
Nesse ponto chegamos a mais uma questão, como criar a nova educação, o novo ser humano? Penso que é necessário um entendimento diferente da maneira como se vê o ensino atualmente, uma nova concepção de universidade, onde arrumar emprego não seja a força motriz para se adquirir conhecimento. Tal ponto nos força a rever as concepções de professor e aluno respectivamente.
Quando se ensina dogmaticamente, restringe-se o conhecimento a fórmulas e textos para decorar e, com isso, um dos principais ímpetos humanos, o de questionar, fica para segundo plano e o indivíduo se torna apenas uma caixa de informações que ele abrirá, eventualmente, quando seu emprego exigir. O aluno também se constitui em um problema quando ele entra em uma universidade esperando que ela preencha sua caixa de informações, ou seja, tudo se torna um ciclo vicioso e extremamente complexo.
Toda essa estrutura de formação alheia à criticidade tem um agravante maior ainda, quando olhamos para a base do sistema educacional brasileiro e observamos um completo abandono na formação das crianças, o que resulta na anulação da ambição pelo conhecimento e o assassinato da instigação natural infantil, o que levará, fatalmente, à formação de um aluno caixa de informações, com raríssimas exceções. Essa lógica vigente age como um vírus, que se instala, se reproduz e destrói a liberdade mental humana à medida que a qualidade educacional apresentada em nossa sociedade decai.
Tais vitórias da mediocridade são possíveis devido à falta de profissionais competentes e da estrutura educacional deficitária, que aliadas ao processo de difusão do saber do tipo transporte passivo, criam mais seres parasitários que completam mais uma vez o ciclo. Por isso precisamos encontrar maneiras de acabar com esse loop infinito, pois só assim será possível conseguirmos um mundo novo, onde seres humanos realmente pensantes o habitarão. Precisamos acabar com o vírus da mediocridade, que permeia em nossa sociedade e nos cega cada vez mais.

Leonardo Segura

24 quadros por segundo

A variedade de entretenimentos existentes nos grandes centros urbanos denota uma vida culturalmente ativa oferecida por essas cidades. Dentre as opções de lazer, destaca-se o cinema, o qual é cada vez mais freqüentado, movendo grandes receitas para a indústria cinematográfica.
Surgida no século XIX, a técnica de projeção de imagens em movimento ganhou uma popularidade inimaginada pelos seus criadores, os franceses Auguste e Louis Lumière. Tornou-se influência significativa na vida artística, econômica, política e social, principalmente para as classes mais abastadas capazes de financiar e consumir a sétima arte.
Completamente vinculado à economia e a política que regem seu local de produção, o cinema deve ser apreciado além da tela, refletindo-se não apenas sobre o filme em si, mas também sobre todos os aspectos que possam indicar seus objetivos, sua linha ideológica principal. A duração do filme, a qualidade da imagem, o elenco, o enredo, os patrocinadores, tudo que o compõe pode fazer essas indicações.
As preocupações com custos e lucros muitas vezes sobrepujam o projeto inicial para que sua produção não seja tolhida pela falta de recursos e de patrocinadores. Pequenas adaptações de elenco, de cena e de ideologias apresentadas no enredo são feitas para atrair melhores investidores. As grandes empresas, antes de financiarem algum projeto cinematográfico, refletem minuciosamente acerca do benefício/malefício que o filme trará para a sua imagem no mercado consumidor. A opção de produtos usados pelos personagens ou mostrados nos cenários não é aleatória, também segue esse forte viés econômico e denotam um favoritismo por estilos e marcas determinado, muitas vezes, por aqueles que financiam a produção.
A indústria cinematográfica tornou-se de influência significativa, não apenas pelo caráter econômico, mas também pelo político. A popularidade crescente do cinema o faz uma ferramenta eficaz na formação da opinião pública, que pode ser usada para a defesa de preceitos e de reflexões que justifiquem ou critiquem a ordem social e as políticas adotadas pelos governantes. Em governos autoritários é comum redefinir os investimentos culturais usando as manifestações artísticas como propagando do Estado, prática comum em nações imperialistas, e também censurar a exibição daquilo que é contrário à sustentação do governo.
Tendo em vista o poder que esses aspectos políticos e econômicos exercem sobre a produção e exibição do cinema, fica claro que a apreciação dessa arte não deve ser superficial, ao contrário, deve abarcar todo seu contexto, analisando o jogo de interesses, o confronto de pontos de vista que faz uma simples projeção de imagens tornar-se um estudo profundo da humanidade.




A SÉTIMA ARTE
O cinema foi considerado a sétima arte no início do século XX pelo italiano Ricciotto Canudo, crítico de cinema pertencente ao futurismo italiano, em sua obra Manifesto das Sete Artes e Estética, que listava as manifestações artísticas de acordo com sua linguagem.
1ª Arte-Música (som)
2ª Arte-Pintura (cor)
3ª Arte-Escultura (volume)
4ª Arte-Arquitetura (espaço e tempo)
5ª Arte-Literatura (palavra)
6ª Arte-Coreografia (movimento)
7ª Arte-Cinema (apresenta todos os elementos das artes anteriores)

Maria Flor

A febre amarela


Falar de epidemia é pop. Os casos de febre amarela no início do ano assustaram os habitantes da Terra do Nunca. É vacina pra lá, vacina pra cá... e os coitadinhos das áreas de risco ficam sem a devida imunidade. Azar! É epidemia! Eu quero me vacinar!!!
Deixando de lado essas observações marotas e aterrorizantes (argh!), vamos falar da verdadeira febre amarela: a pequenina China. Já se foi o tempo em que a moda era falar dos tigres asiáticos, os desbravadores econômicos do continente; do Japão, que surpreendia o mundo com sua organização toyotista e eficiência tecnológica; de Sadam Hussein e sua turma, que brincavam de guerra e bebiam petróleo. Isso sem falar de Israel, da Palestina, dos xeques árabes e os 40 ladrões. O dragão chinês é pop e, quem sabe, contagioso. O crescimento ching-ling é espantoso, tudo “Made in China”, e o paradoxo é que a febre pode ser também uma vacina para a crise de recessão e desaceleração da economia mundial.
É certo que não podemos deixar de esquecer as outras letrinhas do BRIC (além da China: Brasil, Rússia e Índia), mas o desenvolvimento chinês é destaque entre os principais emergentes, tanto pela velocidade como pelo volume de recursos movimentados em todo comércio internacional. O PIB da China cresceu a uma taxa de 11,4% em 2007, acumulando um montante de aproximadamente US$ 3,40 trilhões, com uma população estimada de 1,33 bilhão de pessoas. São números espantosos se compararmos com as estatísticas brasileiras... Nossa média de 2002 a 2007 é de um crescimento em torno de 3,8%! Que alegria! E estão projetando algo entre 4,5 e 5% para 2008... sem crise. Enquanto isso, nossos hermanos crescem quase o dobro e a Índia bate nos 9%.
A partir desse crescimento, também surgem alguns problemas para os chineses. Dentre eles, se destacam a crescente inflação, puxada pelos preços agrícolas e de energia, a expansão desordenada do crédito, o desequilíbrio na balança comercial de países vizinhos deficitários, entre outros problemas de ordem social e ambiental. Vale a pergunta: será esse um crescimento sustentável? Será a China, ao lado dos emergentes, a vacina para a possível desaceleração da economia mundial, sustentando uma forte demanda internacional? Será que realmente os problemas dos E.U.A. influenciarão fortemente o globo e que ainda é cedo para falar de um novo pólo econômico?
Esperemos! Não há nada melhor a fazer, não é mesmo? Vamos continuar com um PAC burocrático! Um sistema financeiro desregulado, um câmbio valorizado, e um exportador de commodities! Isso sem entrar no mérito das reformas... E que venha um novo apagão também! No quesito “deixar para depois” o Brasil é campeão... Mas não vem ao caso discutir os problemas e as vantagens nacionais agora.
A China é grande, e cresce mais. É o maior financiador do déficit orçamentário americano. Parece que vai chegando o momento no qual os filhos do Tio Sam aprendem que não podem gastar mais do que possuem, sustentando-se pelo capital alheio, com uma crescente dívida externa e pública. Além disso, também vão colhendo um déficit na balança comercial em torno de US$ 63 bilhões, sendo a China um de seus principais exportadores. Os chineses vão entrando na economia mundial, e seus poderes de negociação crescem na velocidade do seu PIB. Eis a febre chinesa, a febre amarela da economia mundial.

Oz Iazdi