domingo, 23 de março de 2008

A febre amarela


Falar de epidemia é pop. Os casos de febre amarela no início do ano assustaram os habitantes da Terra do Nunca. É vacina pra lá, vacina pra cá... e os coitadinhos das áreas de risco ficam sem a devida imunidade. Azar! É epidemia! Eu quero me vacinar!!!
Deixando de lado essas observações marotas e aterrorizantes (argh!), vamos falar da verdadeira febre amarela: a pequenina China. Já se foi o tempo em que a moda era falar dos tigres asiáticos, os desbravadores econômicos do continente; do Japão, que surpreendia o mundo com sua organização toyotista e eficiência tecnológica; de Sadam Hussein e sua turma, que brincavam de guerra e bebiam petróleo. Isso sem falar de Israel, da Palestina, dos xeques árabes e os 40 ladrões. O dragão chinês é pop e, quem sabe, contagioso. O crescimento ching-ling é espantoso, tudo “Made in China”, e o paradoxo é que a febre pode ser também uma vacina para a crise de recessão e desaceleração da economia mundial.
É certo que não podemos deixar de esquecer as outras letrinhas do BRIC (além da China: Brasil, Rússia e Índia), mas o desenvolvimento chinês é destaque entre os principais emergentes, tanto pela velocidade como pelo volume de recursos movimentados em todo comércio internacional. O PIB da China cresceu a uma taxa de 11,4% em 2007, acumulando um montante de aproximadamente US$ 3,40 trilhões, com uma população estimada de 1,33 bilhão de pessoas. São números espantosos se compararmos com as estatísticas brasileiras... Nossa média de 2002 a 2007 é de um crescimento em torno de 3,8%! Que alegria! E estão projetando algo entre 4,5 e 5% para 2008... sem crise. Enquanto isso, nossos hermanos crescem quase o dobro e a Índia bate nos 9%.
A partir desse crescimento, também surgem alguns problemas para os chineses. Dentre eles, se destacam a crescente inflação, puxada pelos preços agrícolas e de energia, a expansão desordenada do crédito, o desequilíbrio na balança comercial de países vizinhos deficitários, entre outros problemas de ordem social e ambiental. Vale a pergunta: será esse um crescimento sustentável? Será a China, ao lado dos emergentes, a vacina para a possível desaceleração da economia mundial, sustentando uma forte demanda internacional? Será que realmente os problemas dos E.U.A. influenciarão fortemente o globo e que ainda é cedo para falar de um novo pólo econômico?
Esperemos! Não há nada melhor a fazer, não é mesmo? Vamos continuar com um PAC burocrático! Um sistema financeiro desregulado, um câmbio valorizado, e um exportador de commodities! Isso sem entrar no mérito das reformas... E que venha um novo apagão também! No quesito “deixar para depois” o Brasil é campeão... Mas não vem ao caso discutir os problemas e as vantagens nacionais agora.
A China é grande, e cresce mais. É o maior financiador do déficit orçamentário americano. Parece que vai chegando o momento no qual os filhos do Tio Sam aprendem que não podem gastar mais do que possuem, sustentando-se pelo capital alheio, com uma crescente dívida externa e pública. Além disso, também vão colhendo um déficit na balança comercial em torno de US$ 63 bilhões, sendo a China um de seus principais exportadores. Os chineses vão entrando na economia mundial, e seus poderes de negociação crescem na velocidade do seu PIB. Eis a febre chinesa, a febre amarela da economia mundial.

Oz Iazdi

4 comentários:

Anônimo disse...

Muito interessante comparar o "fenômeno China" à febre amarela, pois realmente pode ser chamado de doença um crescimento que junto traz tanta destruição de ideais, da natureza e de impérios já estabelecidos. Realmente, eis a febre amarela da economia mundial.

Anônimo disse...

Diante da enorme ignorancia que afeta o globo resta-nos, (futuros economisas) encontrar uma vacina para essa epidemia que já nos atormenta tanto.

Anônimo disse...

E qual seria essa vacina?

Anônimo disse...

se supostamente existice tal vacina nao seria interessante sua divulgaçao por parte da minoria detentora do poder financeiro