
Há em economia certo predomínio de idéias, teorias e suposições de que o livre-mercado resolva, senão todos, mas a maioria dos problemas da sociedade. Desde a questão do desemprego, distribuição de renda e conflitos até no campo mais teórico da observação, através de uma metodologia neoclássica.
Essa suposta verdade pode ser contestada por diversas maneiras e em diferentes momentos históricos do sistema capitalista, e isso não é propriamente meu objeto de análise, mas sim a continuação desse pensamento neoliberal permanente em nossas sociedades. Por que isso acontece?
A atual crise do sistema se passa em seu representante mor, os EUA, e nos traz algumas particularidades, já observadas em crises passadas, que mostram o quanto a questão do Estado ainda é importante, visto que medidas tomadas pelo Estado americano para conter uma crise gerada pela forte desregulamentação de agências financeiras e de crédito foram necessárias e aclamadas pelo famoso “mercado”. Medidas como o resgate financeiro arranjado pelo Fed[1] do banco de investimentos Bear Stearns é uma evidência de como o tal livre-mercado pleno pode não ser realmente uma solução.
Obviamente, a atual crise instalada na economia americana não se deve apenas por implicações de uma ou outra agência financeira e crédito, nem somente por todas elas. Há considerações relevantes a serem mostradas, como o fato de que o próprio Estado americano é culpado por sustentar essa “bolha imobiliária”, mas o fato é que tal atitude tomada pelo governo levou a uma exagerada desregulamentação financeira e consequentemente ao “samba do crioulo doido” dos bancos de investimentos e crédito.
Não apenas essa atual crise deve ser mencionada, mas crises anteriores, tais como à enganação feita nos balanços de empresas como a Enron, que explodiu em crise em meados de 2002/2003 e lançou sérias dúvidas sobre a seriedade dos conselhos de administração das grandes companhias. Sem contar a própria crise de 29, o crash da bolsa de Nova York, onde a especulação deitou e rolou até quando não pode mais e deu no que deu.
O Brasil, famoso por receber sempre duros impactos e reflexos de crises internacionais, por incrível que pareça, está mais seguro em termos macroeconômicos do que antes. Isso se deve, em grande parte, à própria legislação brasileira, que é muito mais rígida para concessão de crédito e também por não possuirmos um sistema financeiro tão complexo quanto os países do G-8.
Em artigo publicado no jornal Valor Econômico, o jornalista Martin Wolf fala sobre o fim do sonho do capitalismo de livre-mercado devido às conseqüências já acontecidas e as medidas tomadas pelo Fed a fim de atenuar a crise. De fato, a desregulamentação exagerada tomou um grande golpe, mas não acredito que irá terminar assim. Crises já vieram e foram baseadas na mesma lógica, e nem por isso esse pressuposto de que o mercado resolve tudo e que só através da liberdade do mercado é que atingiremos a tão sonhada harmonia social foi extinta. Pelo contrário, ela se intensificou, alcançando os patamares da atual crise.De tudo isso, podemos entender que esse sistema pró livre-mercado exageradamente instalado em nossos dias, onde uma globalização do capital é a regra sobre tudo e todos, não será a solução para os problemas, sejam eles quais forem, pois podemos observar pela história que tal fato não se concretiza dessa maneira e só uma conscientização ética sobre o uso dessa dita “liberdade” é que pode amenizar a situação.
[1] Banco central americano
Essa suposta verdade pode ser contestada por diversas maneiras e em diferentes momentos históricos do sistema capitalista, e isso não é propriamente meu objeto de análise, mas sim a continuação desse pensamento neoliberal permanente em nossas sociedades. Por que isso acontece?
A atual crise do sistema se passa em seu representante mor, os EUA, e nos traz algumas particularidades, já observadas em crises passadas, que mostram o quanto a questão do Estado ainda é importante, visto que medidas tomadas pelo Estado americano para conter uma crise gerada pela forte desregulamentação de agências financeiras e de crédito foram necessárias e aclamadas pelo famoso “mercado”. Medidas como o resgate financeiro arranjado pelo Fed[1] do banco de investimentos Bear Stearns é uma evidência de como o tal livre-mercado pleno pode não ser realmente uma solução.
Obviamente, a atual crise instalada na economia americana não se deve apenas por implicações de uma ou outra agência financeira e crédito, nem somente por todas elas. Há considerações relevantes a serem mostradas, como o fato de que o próprio Estado americano é culpado por sustentar essa “bolha imobiliária”, mas o fato é que tal atitude tomada pelo governo levou a uma exagerada desregulamentação financeira e consequentemente ao “samba do crioulo doido” dos bancos de investimentos e crédito.
Não apenas essa atual crise deve ser mencionada, mas crises anteriores, tais como à enganação feita nos balanços de empresas como a Enron, que explodiu em crise em meados de 2002/2003 e lançou sérias dúvidas sobre a seriedade dos conselhos de administração das grandes companhias. Sem contar a própria crise de 29, o crash da bolsa de Nova York, onde a especulação deitou e rolou até quando não pode mais e deu no que deu.
O Brasil, famoso por receber sempre duros impactos e reflexos de crises internacionais, por incrível que pareça, está mais seguro em termos macroeconômicos do que antes. Isso se deve, em grande parte, à própria legislação brasileira, que é muito mais rígida para concessão de crédito e também por não possuirmos um sistema financeiro tão complexo quanto os países do G-8.
Em artigo publicado no jornal Valor Econômico, o jornalista Martin Wolf fala sobre o fim do sonho do capitalismo de livre-mercado devido às conseqüências já acontecidas e as medidas tomadas pelo Fed a fim de atenuar a crise. De fato, a desregulamentação exagerada tomou um grande golpe, mas não acredito que irá terminar assim. Crises já vieram e foram baseadas na mesma lógica, e nem por isso esse pressuposto de que o mercado resolve tudo e que só através da liberdade do mercado é que atingiremos a tão sonhada harmonia social foi extinta. Pelo contrário, ela se intensificou, alcançando os patamares da atual crise.De tudo isso, podemos entender que esse sistema pró livre-mercado exageradamente instalado em nossos dias, onde uma globalização do capital é a regra sobre tudo e todos, não será a solução para os problemas, sejam eles quais forem, pois podemos observar pela história que tal fato não se concretiza dessa maneira e só uma conscientização ética sobre o uso dessa dita “liberdade” é que pode amenizar a situação.
[1] Banco central americano
Leonardo Segura
Um comentário:
Acreditar no livre-mercado como o Senhor de todo o destino é acreditar na mais plena utopia.
Postar um comentário