Acredito que seja um consenso geral de que a educação constitua-se na principal maneira para se mudar uma realidade de conformismo e acomodação total da humanidade, pois quando se tem a oportunidade de conhecer novas maneiras de pensar, novos horizontes passam a nos proporcionar uma amplitude infinitamente maior em nossa maneira de olhar o mundo e as atitudes humanas.
Obviamente não falo de uma educação quantitativa, a qual se observa com tanta freqüência através da proliferação de faculdades e centros de ensino superior na rede privada desde a última década no Brasil, mas de uma proposta qualitativa, onde a formação de um ser racional e crítico para com as coisas ao seu redor seja o foco principal. Alcançar isso, acredito eu, é o grande desafio para nossa geração, principalmente levando-se em conta o atual nível intelectual da juventude brasileira.
É evidente que a criação de um “mercado do ensino superior” não seja o melhor jeito de se mudar nossa realidade, visto que o objetivo de tais mercados vise apenas a venda de seu produto, a graduação (e mais recentemente até a pós-graduação). Encarar a educação como um produto é a raiz do problema, pois é a partir daí que temos a criação de mais escravos para um sistema onde torna o ser humano cada vez mais estúpido e alienado.
Nesse ponto chegamos a mais uma questão, como criar a nova educação, o novo ser humano? Penso que é necessário um entendimento diferente da maneira como se vê o ensino atualmente, uma nova concepção de universidade, onde arrumar emprego não seja a força motriz para se adquirir conhecimento. Tal ponto nos força a rever as concepções de professor e aluno respectivamente.
Quando se ensina dogmaticamente, restringe-se o conhecimento a fórmulas e textos para decorar e, com isso, um dos principais ímpetos humanos, o de questionar, fica para segundo plano e o indivíduo se torna apenas uma caixa de informações que ele abrirá, eventualmente, quando seu emprego exigir. O aluno também se constitui em um problema quando ele entra em uma universidade esperando que ela preencha sua caixa de informações, ou seja, tudo se torna um ciclo vicioso e extremamente complexo.
Toda essa estrutura de formação alheia à criticidade tem um agravante maior ainda, quando olhamos para a base do sistema educacional brasileiro e observamos um completo abandono na formação das crianças, o que resulta na anulação da ambição pelo conhecimento e o assassinato da instigação natural infantil, o que levará, fatalmente, à formação de um aluno caixa de informações, com raríssimas exceções. Essa lógica vigente age como um vírus, que se instala, se reproduz e destrói a liberdade mental humana à medida que a qualidade educacional apresentada em nossa sociedade decai.
Tais vitórias da mediocridade são possíveis devido à falta de profissionais competentes e da estrutura educacional deficitária, que aliadas ao processo de difusão do saber do tipo transporte passivo, criam mais seres parasitários que completam mais uma vez o ciclo. Por isso precisamos encontrar maneiras de acabar com esse loop infinito, pois só assim será possível conseguirmos um mundo novo, onde seres humanos realmente pensantes o habitarão. Precisamos acabar com o vírus da mediocridade, que permeia em nossa sociedade e nos cega cada vez mais.
Leonardo Segura
domingo, 23 de março de 2008
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Um comentário:
Concordo. Vivemos num mundo egoísta, no qual só os interesses do capital prevalecem. As instituições de ensino geralmente não formam críticos e pensadores, mas meros robôs.
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