
Pensamento materialista: O modo de produção determina toda a organização social. A superestrutura, composta pelo sistema jurídico, político e religioso, é totalmente dependente dessa infra-estrutura. O capitalismo, portanto, só poderá ser mudado através da reestruturação da organização produtiva, ou seja, através da coletivização dos meios de produção.
A partir da análise dessa visão materialista, que procura explicar a organização social através da infra-estrutura, pode-se fazer um questionamento sobre sua veracidade. É claro que, como dizia Marx, se todos tivessem acesso aos meios de produção e a propriedade privada fosse abolida a sociedade não seria a mesma, ou seja, haveria uma alteração no modo de produção e na organização social, confirmando os preceitos de sua dialética materialista. Mas como se forma o modo de produção? Quem é o culpado pela organização econômica da sociedade?
O primeiro ponto a ser observado é a definição do modo de produção, que é a combinação dos fatores produtivos e as relações de produção. Assim, podemos tecer duas hipóteses sobre a formação dos diversos sistemas econômicos: a primeira, afirma que esses sistemas se originam do desenvolvimento natural de uma determinada região em um determinado período no tempo. A segunda, no entanto, afirma que os sistemas econômicos vigentes não são naturais, já que por mais que dependam das condições temporais e materiais, não poderiam se desenvolver se não houvesse uma intenção ou uma cultura coletiva (ou de determinada classe social) que levasse a isso, podendo ser modificados. A segunda hipótese parece ser a mais plausível, visto que temos argumentos históricos que comprovam isso, como no caso do capitalismo. Por mais que houvesse condições materiais específicas para o nascimento do capitalismo na Inglaterra, ele se desenvolveu graças ao sistema político, jurídico e religioso (superestrutura), ou seja, graças à cultura inglesa do período, a qual permitiu sua promoção. Podemos observar isso através do não desenvolvimento do capitalismo por todo o globo por certo tempo, apesar de hoje em dia os imperativos do mercado dominarem quase todas as relações humanas.
A infra-estrutura capitalista, então, parece ser a culpada pela organização da sociedade inglesa no século XVIII e, posteriormente, de quase todas as sociedades. Mas como se deu a implantação dessa nova infra-estrutura? Deu-se através das idéias e da cultura de uma sociedade no período imediatamente anterior ao capitalismo. Desse modo, se pressupormos que é o modo de produção que organiza e determina as diversas sociedades, temos automaticamente que concordar que esse modo de produção é algo natural, e não uma manifestação das idéias humanas, pois se o homem participar desse processo ele criará um sistema baseado em idéias e valores culturais pré-estabelecidos, já que sabemos que ninguém é capaz de criações puramente científicas, sempre havendo valores culturais e éticos envolvidos. Esses valores e essa cultura são nada mais do que a superestrutura do período imediatamente anterior.
Assim, a hipótese materialista não pode afirmar que é o modo de produção que organiza a sociedade se não afirmar também que ele ocorre através de um processo natural, pois se há valores envolvidos na formação desse modo de produção, podemos afirmar que quem determina a organização social é a superestrutura do período imediatamente anterior ao observado. A teoria materialista, então, parece possuir uma contradição inata ao defender duas idéias tão conflitantes, sendo a proposta do socialismo e do comunismo um exemplo de tudo o que foi afirmado. O socialismo/comunismo surgiu de onde? Surgiu das idéias e das novas necessidades institucionais (superestrutura) do capitalismo. O socialismo, então, seria mais uma prova de que o sistema econômico não se dá através de um desenvolvimento natural, mas através da esfera ideológica do período imediatamente anterior.
A partir da análise dessa visão materialista, que procura explicar a organização social através da infra-estrutura, pode-se fazer um questionamento sobre sua veracidade. É claro que, como dizia Marx, se todos tivessem acesso aos meios de produção e a propriedade privada fosse abolida a sociedade não seria a mesma, ou seja, haveria uma alteração no modo de produção e na organização social, confirmando os preceitos de sua dialética materialista. Mas como se forma o modo de produção? Quem é o culpado pela organização econômica da sociedade?
O primeiro ponto a ser observado é a definição do modo de produção, que é a combinação dos fatores produtivos e as relações de produção. Assim, podemos tecer duas hipóteses sobre a formação dos diversos sistemas econômicos: a primeira, afirma que esses sistemas se originam do desenvolvimento natural de uma determinada região em um determinado período no tempo. A segunda, no entanto, afirma que os sistemas econômicos vigentes não são naturais, já que por mais que dependam das condições temporais e materiais, não poderiam se desenvolver se não houvesse uma intenção ou uma cultura coletiva (ou de determinada classe social) que levasse a isso, podendo ser modificados. A segunda hipótese parece ser a mais plausível, visto que temos argumentos históricos que comprovam isso, como no caso do capitalismo. Por mais que houvesse condições materiais específicas para o nascimento do capitalismo na Inglaterra, ele se desenvolveu graças ao sistema político, jurídico e religioso (superestrutura), ou seja, graças à cultura inglesa do período, a qual permitiu sua promoção. Podemos observar isso através do não desenvolvimento do capitalismo por todo o globo por certo tempo, apesar de hoje em dia os imperativos do mercado dominarem quase todas as relações humanas.
A infra-estrutura capitalista, então, parece ser a culpada pela organização da sociedade inglesa no século XVIII e, posteriormente, de quase todas as sociedades. Mas como se deu a implantação dessa nova infra-estrutura? Deu-se através das idéias e da cultura de uma sociedade no período imediatamente anterior ao capitalismo. Desse modo, se pressupormos que é o modo de produção que organiza e determina as diversas sociedades, temos automaticamente que concordar que esse modo de produção é algo natural, e não uma manifestação das idéias humanas, pois se o homem participar desse processo ele criará um sistema baseado em idéias e valores culturais pré-estabelecidos, já que sabemos que ninguém é capaz de criações puramente científicas, sempre havendo valores culturais e éticos envolvidos. Esses valores e essa cultura são nada mais do que a superestrutura do período imediatamente anterior.
Assim, a hipótese materialista não pode afirmar que é o modo de produção que organiza a sociedade se não afirmar também que ele ocorre através de um processo natural, pois se há valores envolvidos na formação desse modo de produção, podemos afirmar que quem determina a organização social é a superestrutura do período imediatamente anterior ao observado. A teoria materialista, então, parece possuir uma contradição inata ao defender duas idéias tão conflitantes, sendo a proposta do socialismo e do comunismo um exemplo de tudo o que foi afirmado. O socialismo/comunismo surgiu de onde? Surgiu das idéias e das novas necessidades institucionais (superestrutura) do capitalismo. O socialismo, então, seria mais uma prova de que o sistema econômico não se dá através de um desenvolvimento natural, mas através da esfera ideológica do período imediatamente anterior.
"Todos os movimentos anteriores foram tão-somente movimentos de minorias, ou no interesse de minorias. O movimento proletário é o movimento independente da imensa maioria no interesse da imensa maioria. O proletariado, a camada mais baixada sociedade atual, não pode erguer-se, recuperar-se, sem estilhaçar toda a superestrutura de estratos que constituem a sociedade oficial." - O Manifesto do Partido Comunista, Marx & Engels
Oz Iazdi
2 comentários:
Concordo!
A antítese do sistema surgirá somente quando se formar uma nova geração. Crítica, racional e verdadeiramente pensante, para então entender o sistema em que vive e assim poder questioná-lo.
Concordo com o Leonardo e com o OZ.
As coisas são apenas coisas, somos nós que damos sentido a elas. Próximo ao que o Leornardo disse: é como que se o processo vigente se tornasse natural para as pessoas que viram aquilo acontecer.
Porém, para recicladora juventude, a sociedade volta a possuir o seu estado de coisa, o jovem a transforma numa massinha de modelar; primeiro, quebra os seus laços da ordem vigente, e aquilo passa a não ter mais sentido (assume o estado de barbárie), mas em seu segundo estágio, a massa de modelar toma a forma a partir das idéias de como deveria ser a coisa. Logo, a coisa em forma pode até ter resquícios (no sentido de aprendizagem histórica) da estrutura anterior, pois não se quer repetir os "erros" do processo anterior, mas, tão porém é único, pois é criação e invenção (o ar mudança) de um conjunto de idéias.
Portanto, sim a estrutura idealista é de extrema importância para a mudança.
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