segunda-feira, 24 de março de 2008

A revolução

É complicado um jovem de 20 anos, que não viveu ditaduras, inflações monstruosas, diversas mudanças monetárias, guerras e tantas outras adversidades que gerações anteriores em todo o mundo enfrentaram querer falar sobre revolução. Mas sim, eu irei falar sobre a tão sonhada e discutida revolução, embora muitos possam me taxar de prepotente, o que não julgo ser.
Acho que a minha geração é beneficiada por inúmeras coisas, dentre elas essa suposta estabilidade que mencionei acima, mas acredito que a história seja o maior dos benefícios para nós. E por quê? Porque podemos estudar a história humana e observar os diversos momentos pelos quais nossos antepassados viveram e, através desses momentos, entender o porquê do sistema capitalista ter sobrevivido por tanto tempo, com fortes raízes fincadas em nossas sociedades.
Marx dizia que o capitalismo criaria uma classe de excluídos do sistema e, dessa maneira, estaria criando a antítese de sua lógica, que iria gerar uma revolução, a revolução do proletariado, e assim daria início a um novo sistema, onde o proletariado tomaria o controle da produção e conseqüentemente da sociedade. Isso é apenas uma síntese, bem resumida, sobre o que Marx pensava a respeito do futuro, que infelizmente não ocorreu como o esperado devido à, já famosa, propaganda burguesa. Frase clichê? Acredito que sim, mas não pouco verdadeira.
Essa propaganda não pode ser resumida apenas em periódicos e televisão ou em uma ou outra pessoa, pois, além desses, a própria lógica em que somos criados e acostumados a viver se revela a maior das propagandas a favor do sistema. Isto está presente a todo o momento e somos influenciados sem o menor direito de escolha, até que, quando percebemos, já somos mais um soldado em defesa das vontades do capital. Futebol, cerveja, faculdade, escola, mulheres, sexo, igreja, american way of life, brazilian way of life, etc. Tudo se revela uma grande manipulação de nossas mentes.
O último parágrafo, acredito, explica o porquê de inúmeras revoluções mundo afora terem perdido seus ideais no meio do caminho e se transformado em mais algumas sociedades reféns do capital. França, Rússia, China, México, Colômbia, Vietnã e tantas outras na África são bons exemplos. A propaganda embutida em nossas vidas e os interesses do sistema, dia-a-dia, nos faz destruir aos poucos a revolução.
Por isso, a melhor forma de concretizarmos a revolução, e verdadeiramente os ideais de 1789, é mudarmos a educação de nossas crianças, de nossa base. Como podemos fazer a revolução se somos educados para pensarmos e sermos como capitalistas? A verdadeira classe de excluídos do sistema se formará a partir do momento em que nossas instituições de ensino não forem mais dogmáticas, duras, cegas e atreladas aos interesses do capital.
Para que isso ocorra, precisamos do espírito de 68, do sonho de Malatesta, de mais Dennis Lyxzén, de mais edukadores. Precisamos unir os já existentes em prol do objetivo de conseguirmos consolidar a revolução verdadeiramente. “Cada coração é uma célula revolucionária”, como disse o personagem de Daniel Brühl em Edukators.Obviamente isso se parece muito mais com ideais iluministas do que qualquer outra coisa, mas, em minha opinião, é através dessa nova educação que teremos o surgimento desse novo homem (por que não o super-homem de Nietzsche?) e, assim iremos mudar essa lógica presente em nossa sociedade. Através da formação de uma classe intelectual e mentalmente livre e capaz de gerir essa revolução.

Leonardo Segura

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