O Brasil enfrentou durante a década de 80 uma ruptura na trajetória do crescimento acentuado da economia no pós-guerra e na expansão do PIB per capita vigente desde os anos 50. A economia brasileira nunca havia passado por uma experiência de redução absoluta no nível de produção industrial até então. O grande sujeito da década foi a crise da dívida externa decorrente do rápido crescimento da economia brasileira até o final da década de 70.
O governo brasileiro adotou medidas protecionistas para gerar saldos positivos na Balança Comercial Nacional. Além das tarifas de importação já antes existentes, a indústria passou a receber subsídios para exportação e a se beneficiar das abruptas desvalorizações da moeda nacional e restrições à importação.
Apesar de todos os incentivos do governo, os estímulos às exportações não foram suficientes para gerar saldos positivos na Balança Comercial Brasileira, sendo necessário recorrer às restrições do ritmo de atividades econômicas. O saldo comercial foi obtido com estagnação, inflação alta e deterioração das finanças públicas, devido ao pagamento dos serviços da dívida interna e externa.
Embora a taxa de investimento tenha sido bastante baixa, não ocorreu um processo de desindustrialização industrial em larga escala, mantendo-se a estrutura produtiva. Essa não desisdustrialização permitiu que o emprego oscilasse juntamente com o nível da atividade econômica
Todo esse movimento da economia afetou extremamente o mercado de trabalho urbano, interrompendo o crescente assalariamento e formalização da estrutura ocupacional. Através da queda relativa do emprego formal, houve aumento do número de trabalhadores por conta própria e diminuição do poder de compra do trabalhador. A economia em estagnação não gerou oportunidades ocupacionais necessárias para absorver o aumento da População Economicamente Ativa (PEA) e o processo inflacionário corroeu o poder de compra de trabalhador.
Além disso, as desigualdades de renda existentes desde o início da industrialização no país passaram por um agravamento, aumentando a pobreza do país. Ocorreu uma proliferação do emprego formal de baixa remuneração, e houve uma informalização do mercado de trabalho, principalmente, no setor terciário.
As ocupações que mais cresceram aparentam ter uma menor necessidade de qualificação e tendem a remunerar abaixo das ocupações que estão sendo destruídas. Portanto, ocorre no Brasil um processo de precarização das relações de trabalho, com destruição de empregos de melhores salários.
Se o país pretende caminhar para uma estrutura produtiva moderna é imprescindível investimentos em universidades de boa qualidade, tecnologia e energia. O Brasil tem capacidade para atingir esse grau de modernização, mas desde que o governo se comprometa seriamente a realizar as medidas necessárias para tais mudanças.
Mariana Penteado
sábado, 5 de abril de 2008
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Um comentário:
Os anos 80 foi realmente um período de estagflação nacional. Apesar da má situação econômica, é sempre bom lembrar que foi nesse período que se iniciou a redemocratização política brasileira, criando novos paradigmas a partir da década de 90.
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