quinta-feira, 10 de abril de 2008

A História da Arqueologia - A Arqueologia Inglesa


A Arqueologia Inglesa foi constituída durante o Imperialismo, e foi muito importante para definir o “propósito imperialista da Inglaterra”.[i] Isso auxiliou as novas correntes intelectuais a definir e a sustentar esse imperialismo, que foi feito através da construção de identidades opostas , gerando uma idéia de ascendência cultural.
Esta vertente científica, no início, trabalhou para criar um mito de origem que deveria ser diferente do mito da origem teutônica (que não chega a desaparecer). Este novo mito foi criado a partir da idéia em que o Império Romano, quando chegou à Britânia, teria trazido a civilização aos bretões, cuja presença tinha sido detectada no sul da chamada Britânia. Aliás, localizar os povos que eram descritos nos documentos e que deram origens às atuais nações é uma das tarefas dessa ciência desde que ela começou a esboçar-se, no século XVI.
Nos séculos XIX e XX, a Arqueologia Inglesa passou a proporcionar histórias que culminariam com a criação de uma Identidade Nacional, história contada através dos achados arqueológicos. Assim, ligar identidades étnicas a achados arqueológicos e trazer um sentimento de pertencimento era extremamente importante para a época: afirmar sua identidade sobre a do “outro” era à base do imperialismo inglês.
Dessa forma, foi criada a teoria da Romanização, na qual interpretava que Roma teria expandido para levar seu modelo de civilização (herdado pelos europeus) aos nativos. Isso foi muito importante para a Inglaterra durante os séculos XIX e XX: o conceito de Romanização trazia imagens opostas entre os romanos (“civilizados”) e os nativos (“não-civilizados”), o que ajudou a Inglaterra a justificar o imperialismo sobre a Índia, por exemplo.
Com isso, um paralelismo foi criado entre os “civilizados” (romanos e ingleses) e os “não-civilizados” (bretões e indianos), que não era muito preciso, mas que teve uma grande importância. Afinal, este conceito, juntamente com o paralelismo criado em seu entorno, trouxe mais uma justificativa para o imperialismo: levar a civilização, herdada dos romanos, para o mundo.
Esse modelo de oposição, embora importante, não foi o único. Outro modelo de interpretação, que pregava mistura racial entre romanos e bretões, foi formado, entretanto, ele só ganhou importância na época da Primeira Guerra Mundial. Nas décadas de 1930-40 o Império Romano passa a ser visto como “uma ameaça à segurança nacional”, um “despotismo estrangeiro”.[ii]
Dessa forma, a Arqueologia inglesa surge para justificar o imperialismo e
Constituir uma identidade nacional (anglicidade) através da criação do mito de origem. Esta ciência teve um grande valor em trabalhos acadêmicos e as imagens criadas por eles tiveram uma grande repercussão popular. O aspecto eurocêntrico da Arqueologia inglesa deve ser, como diz Hingley, um objeto de crítica, mas deve-se considerar sua importância para a formação dos Estados nacionais.



[i]HINGLEY, Richard. Concepções de Roma: uma perspectiva inglesa. In FUNARI, Pedro Paulo Abreu (organizador e revisor técnico). REPENSANDO O MUNDO ANTIGO; Série Textos Didáticos, nº47, 2ª edição (revisada e ampliada) ,IFCH/UNICAMP. p.28
[ii] HINGLEY, Richard. Op. Cit. p.53



Arqueóloga Marina



Nenhum comentário: