
Ela e ele estavam à espera. Esperavam por uma abertura, um no coração do outro. Mas ela estava enganada. Pensava que, mais uma vez, o veria diante de si suplicando por sua boca. Não estavam distantes, viviam no mesmo reino e seus corações dividiam o mesmo pulsar. No reino dos amantes não há diferença entre camponês ou cavaleiro. Mas ela insistia contra isto. Queria algo mais. Porém, isto o jovem já havia feito. Sem medo havia se aproximado e, como um cavalheiro, dito o que sentia por ela.
Diferente dos outros homens de sua época, ele não participou de guerras, não pediu a Deus, nem comprou cavalos ou carruagens. Apenas se entregou a donzela que ansiava. Como não obteve sucesso, esperou. Aguardou por meses. Solitário pensava com quem ela estaria dançando, quem a estaria cortejando, quem estaria elogiando seus cabelos e suas mãos. Mas por mais incrível que pareça levavam a mesma vida os dois. Seguiam paralelamente próximos. Até que se encontraram. Naquele dia a saudade trouxe o nervosismo e tentou aumentar o desentendimento que os dias longes promovem. Mas os olhos apaixonados trocaram as juras, as mãos se compromissaram até a morte e o desejo organizou a noite de núpcias.
Ela sabia o que queria. Sempre soube, mas negava e escondia o quanto podia. Ele, orgulhoso e magoado por ter sido dispensado da primeira vez, não queria se rebaixar a outra tentativa. Mas no final os desencontros se transformaram
Quando terminei de ouvir esta história, pensei se o mesmo poderia acontecer conosco. Poderíamos nos encontrar e com uma simples troca de olhares entendermos que não faz sentido a distância. Mas não vivo assim, não penso se sou parecido ou diferente dos outros homens. Apenas sei o que quero. E, diante de tantos meios de comunicação existentes no meu reino, se sentíssemos o mesmo não estaríamos distantes. Entristecido, por não poder esperar por um final de estórias, tentei descansar. Mas quando ouvi o nome do próximo conto me lembrei da pergunta que fiz ao meu amor:
- O que lhe faz falta?
Por Cabelo

