terça-feira, 20 de maio de 2008

Voce esperará para sempre?


Ela e ele estavam à espera. Esperavam por uma abertura, um no coração do outro. Mas ela estava enganada. Pensava que, mais uma vez, o veria diante de si suplicando por sua boca. Não estavam distantes, viviam no mesmo reino e seus corações dividiam o mesmo pulsar. No reino dos amantes não há diferença entre camponês ou cavaleiro. Mas ela insistia contra isto. Queria algo mais. Porém, isto o jovem já havia feito. Sem medo havia se aproximado e, como um cavalheiro, dito o que sentia por ela.

Diferente dos outros homens de sua época, ele não participou de guerras, não pediu a Deus, nem comprou cavalos ou carruagens. Apenas se entregou a donzela que ansiava. Como não obteve sucesso, esperou. Aguardou por meses. Solitário pensava com quem ela estaria dançando, quem a estaria cortejando, quem estaria elogiando seus cabelos e suas mãos. Mas por mais incrível que pareça levavam a mesma vida os dois. Seguiam paralelamente próximos. Até que se encontraram. Naquele dia a saudade trouxe o nervosismo e tentou aumentar o desentendimento que os dias longes promovem. Mas os olhos apaixonados trocaram as juras, as mãos se compromissaram até a morte e o desejo organizou a noite de núpcias.

Ela sabia o que queria. Sempre soube, mas negava e escondia o quanto podia. Ele, orgulhoso e magoado por ter sido dispensado da primeira vez, não queria se rebaixar a outra tentativa. Mas no final os desencontros se transformaram em amor. Ela e ele não viveram felizes, viveram juntos tudo o que há para viver além da felicidade.

Quando terminei de ouvir esta história, pensei se o mesmo poderia acontecer conosco. Poderíamos nos encontrar e com uma simples troca de olhares entendermos que não faz sentido a distância. Mas não vivo assim, não penso se sou parecido ou diferente dos outros homens. Apenas sei o que quero. E, diante de tantos meios de comunicação existentes no meu reino, se sentíssemos o mesmo não estaríamos distantes. Entristecido, por não poder esperar por um final de estórias, tentei descansar. Mas quando ouvi o nome do próximo conto me lembrei da pergunta que fiz ao meu amor:

- O que lhe faz falta?

Por Cabelo

quarta-feira, 14 de maio de 2008

sábado, 3 de maio de 2008

Vivemos ou fingimos?


Onde estão teus bens materiais que guardaste?

Onde estão teus amigos, pais e irmãos?

Onde guardaste aqueles sentimentos que preferiste não ter?

As perguntas são inevitáveis, sempre.

A vontade de mudar e as dúvidas são eternas.

O cansaço na maioria das vezes vence a coragem. Uma ordem te obriga aceitar enquanto buscas fatos e palavras para formar uma razão concreta, digna de uma recusa.

Aqui tudo o que há para fazer eu já fiz.

Porém, insisto em insistir, tento não me esquecer em tudo o que há de ruim dentro de mim.

Busco o que sobrou. Pergunto-me se sobrou algo além de ti.

Um adeus justo agora que somos quase amigos.

Eu sei que haveria mais, mas preciso ir.

Talvez te encontre aqui, por aí. Não te esqueças de que estou levando tuas palavras comigo,

teus olhos nos meus e todos meus sorrisos debochados.

Acredita-me. Eu não iria mentir diante de ti.

Um beijo, um insulto e um perdão.

Todos movidos pela pena que sentiste e pela tua falta de motivação.

Lamentavelmente não há o que entender. Vivemos ou fingimos? Não há o que entender.

É só uma simplicidade complicada para não dizer não te vás, para não dizer a verdade, para não dizer o que queremos e enfrentar as conseqüências.

Meus olhos se fecham, abrem-se, e às vezes se abrem e não vêem nada.

Flutuam entre paredes visíveis somente para eles, enquanto a mente viaja para entender o que aconteceu, o que foi dito e o que fizemos ou ainda fazemos os dois.

Vivemos ou fingimos?




Por: Cabelo