domingo, 29 de março de 2009

Kazam


Pra começar, citaremos hoje duas situações.

1.
A ação de um tolo frente a realidade:
- Eu desejo, eu desejo, eu desejo...
e eis que nada surge.

2.
A ação do mais suntuoso dos reis com seu gigantesco montante de renda, em seu palácio no deserto, dirigindo-se, alucinadamente, ao seu imaginário funcionário fiel, após um dia inteiro sem consumir sequer um pingo de água:

- Eu me abstenho de toda a minha riqueza por um copo de água.
- Pronuncie isto aos servos!

E então o servo imaginário responde conscientemente - se é que isso é possível -:

- Meu senhor, TODOS os servos ora morreram ou fugiram da cidade movidos pela fome; creio que isso não poderá se realizar. Também estou com muita sede, meu caro senhor. Mas a foz é muitíssimo distante, e tanto eu quanto o senhor ficaremos sem água se alguém, incluindo nós mesmos, não a for buscar.

O rei, como acostumado a seu doloroso ócio, era incapaz de mover-se em uma tarefa tão "não importante" para a produção da riqueza social, normalmente realizada pela classe de servos.
Logo, eis que a água NÃO SURGE.

Portanto, não é por desejar do íntimo das suas vontades - e valorar pessoalmente por utilidade - um bem, que ele surgirá na nossa frente; assim como, mesmo que possua o máximo de moedas (renda) possíveis e se abstenha tão dolorosamente com o ócio de não consumi-las, que serão criados os bens que se necessita. Tão pouco ou quase nada fará a abstinência ou só a minha vontade se não for empregue o esforço, seja humano (trabalho) ou das próprias forças naturais, que modifica, cria, desenvolve e dá um sentido à matéria necessária (o bem útil).

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Isso aqui não é científico, e também não simplesmente um apelo moral e imaginário de "como deveria ser", isso aqui é apenas aquilo que se observa com os olhos quando se resolve abri-los.
Autor: Não é desconhecido, mas sim, apenas buscando desenvolver seu reconhecimento